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Ténéré

Recentemente o mundo motociclístico na internet sofreu um grande alvoroço com a simples divulgação de que a Yamaha estaria lançando no mercado brasileiro mais uma motocicleta de 250cc. A notícia não teria tanta repercussão se não fosse a moto em questão uma integrante da família Ténéré.

Bastou mencionar o nome Ténéré para que paixões aflorassem e o novo produto se tornasse instantaneamente o sonho de consumo de uma legião, antes mesmo da moto chegar às lojas ou fossem conhecidas as suas características técnicas. Esse episódio mostra como podemos ser influenciados ou sugestionados por uma marca ou por um nome que habita o nosso imaginário, conceitos gravados profundamente no nosso cérebro. Basta que ouçamos uma única palavra para que nossos corações assumam uma simpatia inexplicável. Vamos poder entender melhor como é que a marca Ténéré foi gravada em nossos subconscientes fazendo uma viagem no tempo, voltando ao século passado, meados de 1979.

Ligação com o Rali Paris-Dakar
Desde a sua primeira edição em 1979, o Rali Paris-Dakar vem exigindo que fabricantes de automóveis, quadricíclos, caminhões e motocicletas desenvolvam produtos especiais, destinados a suportar mecanicamente as severas dificuldades impostas pela prova.

Por solicitação e parceria da equipe Sonauto-Gauloises - Team Racing, a Yamaha, que já via na mais famosa prova de off-road do mundo a oportunidade de fazer publicidade da sua marca, criou uma motocicleta com características de veículo militar de duas rodas, cujas características marcantes eram o grande tanque, com capacidade de armazenar combustível suficiente para cruzar sem reabastecimento as longas distâncias que o rali exigia, um grande curso das suspensões dianteira e trazeira, cuja tarefa era encarar com valentia os trechos de areia e pedra característicos das regiões inóspitas por onde o rali passava e, finalmente, uma novidade para a época, freio a disco dianteiro, tudo isso somado ao inquebrável motor que equipava a XT 500 da época.

Em 1983, influenciados pelo sucesso e popularidade obtidos pela enorme motocicleta no rali, a Yamaha lançou no mercado uma réplica urbana daquela usada até então na competição.

Cronologia das Ténéré 600cc no Brasil e no mundo
Modelo 1983: A primeira da família teve como característica principal, como não poderia deixar de ser, devido ao apelo promocional, o grande tanque de combustível com capacidade para 30 litros. Para complementar a imagem de moto valente, feita para qualquer terreno, instalaram um motor monocilíndrico de 600cc, derivado do 500 cc que era usado pelas motos do rali.

As cores de lançamento também remetiam à lembrança do rali - branca com vermelha e azul com preto, utilizada pela equipe Sonauto-Gauloises - Team Racing. A escolha do nome foi tratada com carinho pela Yamaha, fazendo com que a nova moto fosse batizada de Xt 600z Ténéré, em alusão à parte mais difícil do rali, uma região desértica no centro sul do Deserto do Saara.

O nome Teneré vem da linguagem tuaregue, significando "deserto". Compreende uma vasta planície de areia que estende-se desde o nordeste do Níger ao oeste do Chade, ocupando uma área de 400.000 km². A moto virou sucesso imediato na Europa, principalmente na França onde nasceu o rali Paris-Dakar. Daí, para virar sucesso mundial foi uma questão de pouco tempo.

Modelo 1986: Neste ano a motocicleta, por força do mercado que exigia uma moto mais ON do que OFF-ROAD, ganhou partida elétrica e sofreu uma drástica redução no tamanho e capacidade do tanque de combustível, que passou a ser de apenas 23 litros, facilitando seu uso urbano.

Modelo 1988: Dois anos depois da última modificação, ganhou uma grande carenagem e faróis duplos, ficando muito mais atrativa, bem como um motor mais forte e disco de freio na roda trazeira.

Modelo 1991: O mercado exigia cada vez mais motos esguias, que facilitassem a pilotagem em off-road mais brando e uso mais fácil nos engarrafamentos dos grandes centros. Por conta disso o modelo de 1991 teve seu tanque de combustível reduzido para comportar apenas 20 litros, 10 litros a menos que o modelo original, o que deixou a moto mais estreita e mais fácil de pilotar.

Modelo 1994: O último modelo de 600 cc fabricado com o nome Téneré não sofreu alterações significativas em relação ao modelo de 1991.  No Brasil foi substituida pela XT 600 que passou a ser montada em Manaus desde fevereiro de 1993.  A partir de então as Ténéré deixaram gradativamente de ser importadas pois não tinham como concorrer com o preço mais baixo da nacionalizada.

Curiosidade - De 1993 a 1999, a Yamaha fabricou também a Xtz 660 Ténéré, equipada, como o nome sugere, com motor monocilíndrico de 660cc, entretanto esse modelo não chegou a ser importado oficialmente para o Brasil, infelizmente.



A Xt750z Super Ténéré
Em 1989 a Yamaha lança no mercado japonês e europeu, outra representante da família, a Xtz 750 SuperTénéré, que passou a ser oferecida no mercado brasileiro somente em 1990, onde reinou praticamente absoluta no segmento das big trails até quando deixou de ser produzida em 1996. Os últimos exemplares foram oferecido no Brasil até 1997.

A robustez e confiabilidade mecânica eram as suas características principais e por esse motivo foi a eleita pelos grandes estradeiros como a moto ideal para aventuras de longas distâncias, viagens fartamente relatadas em sites e blogs na internet. Talvez a culpa pelo fim da big trail tenha sido da própria Yamaha que concorria consigo mesmo comercializando a TDM 850. lançada em 1993, que utilizava motor de mesma tecnologia, por preço inferior.


Gravando o nome Ténéré em nossas mentes
Sem que percebêssemos, todo esse bombardeio de imagens de sucesso quando as víamos nas ruas, na TV e nas revistas, fez com que o nome Ténéré ficasse gravado em nosso subconsciente e, sempre que o escutávamos, nosso coração imediatamente pulsava mais rápido, o que a transformou em sonho de consumo de quase todo motociclista amante das trails.

Por causa da enorme simpatia por essa incrível máquina, contribuimos sem querer para difundir sua imagem em conversas e fóruns, tranformando-as em unânime objeto do desejo, inclusive do pessoal mais novo, que ainda era muito jovem quando elas reinavam no auge do sucesso, tal qual acontece hoje com o Senna, que é ídolo de pessoas que não tinham idade para se interessar pelas corridas de F1 nas manhãs de domingo.

A força do nome Ténéré
Decorridos 15 anos desde a fabricação da última Ténéré, eis que somos surpreendidos pelo resgate do nome, com o lançamento da Xtz 250 Ténéré e a promessa da breve vinda para o Brasil das suas irmãs maiores, a Xt 660z Ténéré e a incrível Xz 1200z Ténéré.

Como não poderia deixar de ser, imediatamente foram reativados em nossa memória todos os “arquivos” contendo informações sobre suas magníficas antecessoras, como se o nome Ténéré tivesse sido tatuado a fogo em nosso imaginário e em nossos corações. Esses novos lançamentos farão com que o nome Ténéré continue vivo e forte no coração dos brasileiros, com a imagem de excelência dessas motos sendo repassada por essa nova geração de motociclistas às suas próximas gerações de filhos e netos, futuros motociclistas.

Autor: Mário Sérgio »